Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Keigo Higashino transformou a literatura policial contemporânea com histórias que iam muito além do mistério. Em suas obras, o suspense sempre caminhou ao lado de personagens complexos, dilemas morais e um olhar sobre as relações humanas.
Na própria perspectiva de Higashino, ele sempre escreve com intuito de suscitar a surpresa nos leitores, e prefere, em vez de simplesmente explicar o significado global ao final da narrativa, valorizar desde o início as ações e as intenções dos personagens para oferecer um retrato mais fiel dos seus sentimentos de angústia e culpa ao longo de uma obra.
“Alguns escritores procuram emocionar seus leitores, outros querem escrever frases bonitas. Eu quero que os leitores sejam continuamente surpreendidos pelas minhas ideias”, afirmou ao The Wall Street Journal, em 2011.
Higashino deixa um legado com mais de 100 obras, uma trajetória que atravessou gerações de leitores e uma coleção de prêmios. Foi o 13º presidente da Associação de Escritores Policiais do Japão, de 2009 a 2013, e teve diversos livros adaptados para o cinema e a televisão.
Com destaque para A devoção do suspeito X, uma de suas obras mais afamadas, vencedora do 134º Prêmio Naoki, em 2005, e do 6º Prêmio de Romance Policial Autêntico, em 2006. Em 2012, a obra também foi escolhida como um dos melhores romances policiais do ano pela American Library Association. No Brasil, A devoção do suspeito X foi publicada pela Editora Estação Liberdade.
“Quando recebi da agente literária Patrícia Seibel o pdf do que viria a ser A devoção do suspeito X para avaliar, houve algo que havia muito tempo não acontecia: comecei a ler por volta das nove da noite, e fui devorando até terminar umas quatro da manhã. Era impossível parar. Cenas de locais de Tóquio em Nihonbashi e à beira do rio Sumida que eu conhecia avolumavam uma empatia com a história que já era grande. Higashino tinha uma visão muito apurada para o urbano, e localizava a ação em ambientes escolhidos com esmero, evidentemente fugindo da Tóquio convencional. O Suspeito X é de uma construção narrativa extremamente meticulosa, com dramas humanos e muita sagacidade tensionando investigadores tarimbados de um lado e Ishigami, o contraente exímio matemático disposto a tirar de enormes apuros uma dupla feminina fragilizada, de outro”, declara Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade.
A Editora presta sua homenagem à trajetória de Keigo Higashino e expressa sua solidariedade à família, aos amigos, aos seus editores e aos milhões de leitores que encontraram em seus livros o fascínio do mistério e o interesse pela literatura policial.
