Gueorgui Gospodinov (1968) é poeta, escritor e dramaturgo búlgaro. Vencedor do International Booker Prize 2023, o autor construiu Refúgio do tempo, obra que mistura ficção com história e crítica social,abordando como o passado pode ser tanto um consolo quanto uma armadilha, especialmente em tempos de incertezas.
Com um estilo que remete a grandes nomes como Saramago, segundo alguns críticos, sua escrita combina ironia, melancolia e pensamento crítico, consolidando-o como um dos autores indispensáveis de nossa época e uma voz importante na literatura internacional. Se você ainda não o conhece, vale guardar esse nome, embora fique cada vez mais difícil Gospodinov passar despercebido pelo Brasil.
Em abril, seu romance Refúgio do tempo chegou ao Brasil pela Estação Liberdade. Com tradução direta do búlgaro de Milena M. Mincheva e com o apoio financeiro do Fundo Nacional de Cultura da Bulgária, o romance teve excelente recepção em seus primeiros meses no país, conquistando espaço nas livrarias e entre os leitores, escoando rapidamente a primeira edição. Em junho, veio mais um reconhecimento: a equipe de Cultura da revista VEJA incluiu Refúgio do tempo em sua seleção dos sete melhores livros publicados no Brasil em 2026 (até o momento).

Em Refúgio do tempo, Gospodinov propõe uma reflexão radical ao narrar uma sociedade que, incapaz de imaginar o amanhã, passa a se refugiar em versões idealizadas do passado. O romance pode ser lido como uma sátira sobre a idealização do passado pela sociedade moderna e os perigos dessa perspectiva em larga escala. É uma leitura oportuna, que, segundo o jornal The Guardian, aborda a “instrumentalização da nostalgia”.
Fora do Brasil, Gospodinov continua circulando por numerosos países, festivais e pelas páginas da imprensa internacional. Presença constante em importantes eventos literários, o autor costuma atrair um público expressivo e longas filas de leitores por onde passa. Nos últimos anos, já marcou presença em países como Romênia, Polônia, Suécia, Grécia, Alemanha e Espanha (onde uma de suas sessões de autógrafos chegou a formar uma fila de mais de dois quarteirões), entre muitos outros destinos.
Recentemente, Gospodinov participou do Louisiana Literature, importante festival realizado no Louisiana Museum of Modern Art, na Dinamarca. Em novembro, o escritor já tem presença confirmada no Crossing Border Festival, em Haia, na Holanda. Na ocasião, falará sobre seu livro mais recente, A morte do jardineiro (2024), obra em que se aproxima de temas como a morte, o luto e a memória a partir da experiência da perda do próprio pai.
Além de romances, contos e peças de teatro, Gospodinov teve participação em dois curtas-metragens, entre os quais Omelette (2009), que recebeu uma Menção Honrosa no Festival de Cinema de Sundance.
Em uma entrevista concedida ao The Guardian, Gospodinov reflete sobre os livros que moldaram sua vida e sua escrita. A imersão emocional precoce em A pequena vendedora de fósforos despertou um amor pela leitura que duraria a vida toda, enquanto romances de aventura e até mesmo um livro didático de criminologia alimentaram sua imaginação juvenil. Na adolescência, debruçou-se sobre a literatura erótica e J.D. Salinger, chegando a escrever-lhe uma carta, nunca enviada, que mais tarde apareceu em suas memórias. Segundo Gospodinov, a descoberta de Jorge Luis Borges aos 21 anos lhe deu uma “sensação revigorante de liberdade” e revelou as possibilidades ilimitadas da literatura. Enquanto poetas búlgaros o inspiraram a escrever poesia, a Odisseia de Homero tornou-se uma referência constante que aprofundou seu senso de memória, retorno e paternidade. A montanha mágica, de Thomas Mann, o envolveu em um diálogo filosófico.
Enquanto isso, nós da Estação Liberdade estamos preparando a edição de sua segunda obra, o aguardado Física da saudade, originalmente publicado em 2012.
A presença da literatura de Gueorgui Gospodinov no Brasil representa uma oportunidade de debate internacional sobre o nosso presente por meio de obras literárias que dialogam diretamente com os dilemas contemporâneos do Brasil e do mundo, ampliando ao mesmo tempo nosso olhar sobre a produção literária do leste europeu. Além de Gueorgui Gospodinov, em breve incluiremos a escritora russa Ludmila Ulitskaya, em nosso catálogo com a obra Escada de Jacó.
