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jan 22

Centenário de Ingeborg Bachmann

“Ingeborg Bachmann é a primeira mulher da literatura do pós-guerra, no espaço de língua alemã, a retratar, por meios radicalmente poéticos, a continuação da guerra, da tortura e da aniquilação na sociedade e nas relações entre homens e mulheres.”Elfriede Jelinek, dramaturga e escritora austríaca, Prêmio Nobel de Literatura (2004)

“Seria impossível fazer uma capa festiva para ‘Malina’.
Lendo o texto, antes de compor a capa, me vi enredada em um ambiente melancólico, sensível e perturbador.
Definida uma foto de Ingeborg para a capa, linda, com a fronte lisa e um leve sorriso nos lábios, estava claro que era a imagem perfeita para ilustrar a força e introspecção que o texto sugere. Um plano muito fechado no rosto, a cor profunda da noite, o contraste do laranja aceso, quase ácido.
Intensa. É assim que a defino. E foi o que tentei transmitir no close da imagem, na tipografia e nas cores da capa e no toque do papel e acabamento.”Ruth Klotzel, designer

Em Malina, Bachmann convida o leitor a um mundo estendido aos limites da linguagem. Uma narradora, que trabalha como escritora em Viena, está dividida entre dois homens: vista através do prisma basculante da obsessão, ela viaja em profundidade dentro das próprias loucuras, ansiedades e genialidades. Malina explora o amor, as várias faces da morte, a raiz do fascismo, a paixão.

Bachmann conta a história de vidas dolorosamente entrelaçadas: a narradora, assombrada por memórias aterrorizantes de seu pai, vive com o andrógino Malina, um homem inicialmente distante e frio que acaba se tornando uma influência ameaçadora. Malina serviu de modelo para muitos escritores por ser tão rico não só em conteúdo, mas também em forma. Os leitores encontrarão aqui uma prosa descritiva, narrativa, poética, assim como poesia em versos, diálogos dramáticos à maneira de peças teatrais, em uma viva metamorfose narrativa.

A morte prematura de Bachmann, em decorrência de ferimentos sofridos em um incêndio em seu apartamento, interrompeu definitivamente o projeto da trilogia. Ainda assim, Malina permanece como uma obra plena em sua potência literária, um livro que expõe, com rigor e lirismo, a violência estrutural inscrita nas relações entre homens e mulheres.

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