Gustavo Katague
É com grande alegria que anunciamos a aquisição dos direitos de Baba Yaga no Yoru (“A noite de Baba Yaga”), escrito pela autora Akira Otani e lançado em 2020. Já traduzido, esperamos publicá-lo o quanto antes e tornar o nosso portfólio de literatura japonesa contemporânea um pouco menos comportado.
Em uma sociedade onde reinam estereótipos e se preza pela imagem pública, a autora, decididamente engajada em causas minoritárias, explora a construção do afeto entre duas mulheres em contextos hierárquicos distintos. Uma, Shoko Naiki, é filha de um chefão da yakuza, a outra, Yoriko Shindoa, “contratada” para ser sua guarda-costas.
Mas, e a pancadaria? Ah sim, as aspas em “contratada” foram, é claro, sarcásticas. Shindo, apesar de animalesca, de longe tem qualquer inclinação para o crime, e o “recrutamento” dela para o serviço de guarda-costas não contou com nada menos do que uma treta feia entre ela e os capangas, no meio dos transeuntes em Shinjuku. Conforme Yanagi, um dos subchefes da organização, Shindo somente “aceitou acompanhá-los” para o QG do grupo após levar duas ou três garrafadas na nuca e apagar, inconsciente. Nessa história, treta é o que não falta! Assim que publicado, os convidaremos a contar quantos manés Shindo deixará pelo chão!
Akira Otani é concisa. Para descrever as lutas, suas frases são curtas e rápidas como socos e voadoras. Braços quebram e rótulas se deslocam sem qualquer pudor. Entretanto, de forma alguma isso implica na ausência de interioridade das personagens, que, nos momentos de trégua, são excepcionalmente trabalhadas e carregam consigo questões muito íntimas.
Pode parecer uma mistura dos filmes Kill Bill e O Guarda-Costas? Talvez, ficará a cargo do leitor!
“A noite de Baba Yaga”, de Akira Otani, tem tradução de Gustavo Katague, editor-adjunto da Estação Liberdade.

Maravilha, só na expectativa.